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Dei mais alguns passos...
Era quase impossível caminhar naquelas condições,
o vento cortava,a chuva ensopava-me, o frio gelava até à alma...
Mas tinha de continuar, tinha de te ver, não podia permitir que partisses assim.
Cheguei por fim...
Caí sem forças, os joelhos encontraram o solo húmido e reclamaram piedade.
Depois de tanto tempo a andar pelo frio, vento e chuva,
ainda suportavam o peso do cansaço e da desolação.
Já tinhas partido...
Retomadas algumas das minhas forças, limpei o rosto da chuva que me feria, tal era a violência com que ela embatia contra mim, levantei-me e deambulei pelas ruas...
O Frio? A Chuva? O Vento?
Nada mais me incomodava, estava dormente, as pernas tomaram conta da marcha por si só, os pulmões enchiam e esvaziavam por rotina, nada em mim pedia que o fizessem, o sangue pulsava ainda nas minhas veias porque o coração investia em expulsá-lo de dentro de si, tal como o resto de mim desejava ficar sozinho.
Parei quando embati na macieira, resvalei e deixei-me ficar. Fiquei assim por não sei quanto tempo, enroscada em mim, a tentar proteger o que ainda me restava de ti, a dor de te lembrar. Era dor mas isso significava que ainda me pertencias, mesmo que fosse em recordações.
Agora habituei-me a conviver, já não sinto o frio...
Porque o frio é em mim...