
Fixei aqueles olhos escuros, rodeados por traços feitos de escolhas.
Disseram-lhe que estava a nevar,quis ir até à janela.
Perdidos, longe no tempo estavam seus pensamentos? Que veriam, agora os olhos da recordação?
...
Pelo meio dos flocos de neve vi um menino que brincava em rodopios, tentava apanhar os flocos que iam de mansinho caindo do céu como se fossem pozinhos de perlim-pimpim. Um menino que sonhava conquistar o mundo, voar alto, fazer do longe perto e do mundo uma casa onde morar.
...
As alegres gargalhadas daquela criança ficaram durante muito tempo a ecoar na minha cabeça. E dessas gargalhadas só resta agora um ténue sorriso, leve e quase apagado no mesmo rosto que guarda os olhos de um passado sofrido, muito diferente dos sonhos de menino.
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Esses olhos fixam agora os meus e do peito solta-se um suspiro, expressão de quem já se resignou ao tempo, expressão de quem já andou muito e está cansado da luta.
1 comentário:
Até eu suspirei.
Suspiro de quem sabe tanto que tem receio do que mais pode vir ainda a escutar, a ver, a entender...
A vida passa, tão suave e rapidamente como a neve, mas é igualmente tão bela e tão única.
Beijinhos Kahina :)
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